|
|
:: janeiro 22, 2006 ::
POEMAS ESCOLHIDOS - EMI-Odeon, 1984
Paulo Cesar Pinheiro
Em 1984, Paulo Cesar Pinheiro gravou Poemas Escolhidos, um apanhado de escritos de memórias, costurados por músicas que tinham a ver com seu histórico como letrista na música popular brasileira. Acompanhado por Guinga, Dori Caymmi e Dazinho, deu voz aos seus poemas, numa época em que as gravadoras não tinham medo de lançar discos assim.
Era comum, até o início dos anos 80, discos de poesia lançados por grandes companhias do disco. Não foi diferente com a Odeon, naquele ano já EMI. Pois bem, neste LP, PCP narra com sua voz rouca (ele é o melhor narrador de seus escritos, a meu ver) 33 de seus muitos poemas, falando sobre a infância, o natal, as águas em suas várias vertentes (tema recorrente em suas letras), o amor, enfim... um grande disco, provavelmente perdido nos arquivos da gravadora, que já não tem mais o artista em seu cast. E ainda trazia a tarja: “Proibida a venda para menores de 18 anos” !
Eis a ficha original:
POEMAS ESCOLHIDOS
EMI-ODEON
Catálogo: 31C-062.421.257 Participações especiais: Dori Caymmi, Guinga e Dazinho
Faixas: Infância / O Centauro / Suicídio / Realista / Inspiração / Revelação / Sensitivo / Escolha / Bíblica / O Sábio (I) / O Sábio (II) / Solidão / Santo Guerreiro / Festa De Natal / Bachianas Brasileiras / Diário De Bordo / Os Rios / Loucura / Magia Branca / Vidência / Bicho-Homem / Mal Constante / Versos De Amor / Tema De Valsa / Fruta Nativa / Poeminha Safado / Deiscência / Baticum / Lendas / Ofício / Dilema / Café Pinhão / Ciclo Fechado
Capa: Jo Oliveira
Gravado por Beto às 01:15 AM ::: Comente! [15]
:: outubro 25, 2005 ::
CANTO LUNAR - RGE, 1982
Denise Emmer
Compor canções em torno de um tema não é exatamente uma novidade dentro da música popular brasileira. O desafio é fazê-lo com originalidade e qualidade. É o caso de CANTO LUNAR, LP gravado por Denise Emmer, e lançado em 1982, pela RGE. Com a criatividade que lhe é peculiar - é graduada em Física, estudou piano clássico e flauta e também é escritora -, assina todas as composições (letra e música) e tem como parceiro na faixa Voa, Canção o compositor João de Jesus Paes Loureiro. O instrumental é econômico, mas acerta em cheio, o disco é farto de um lirismo que nos remete a vários tempos. Tem algo de místico, talvez guiado pelo tema, não sei precisar. Ouve-se, em alguns momentos, flautas barrocas, violões ciganos, percussões diversas e o violoncelo de Jacques Morelenbaum. Um grande disco.
Ficha Técnica Original: CANTO LUNAR - Denise Emmer – RGE 308.6029
Arranjos: Alain Pierre
Faixas: CANTO LUNAR (Denise Emmer) / LUZES DA CIDADE (Denise Emmer) / VOA, CANÇÃO (Denise Emmer-João de Jesus Paes Loureiro) / MOÇA DE LA MANCHA (Denise Emmer) / GRANDE AMOR (Denise Emmer) / O AMOR É LEVE (Denise Emmer) / O SOL (Denise Emmer) / CANÇÃO DE ACENDER A NOITE (Denise Emmer) / ESTRELA NO MAR, PEIXE NO CÉU (Denise Emmer) / CAMA NA CALÇADA (Denise Emmer)
Capa: Ayrton Camargo / Tuninho de Paula / Cosme de Oliveira
Gravado por Beto às 09:47 PM ::: Comente! [11]
:: julho 10, 2004 ::
EVERY TIME I FEEL THE SPIRIT - Capitol - SW-1249, 1959
Nat King Cole era filho de pastor protestante. Caminho natural para que, em sua passagem pela Capitol, detentora de boa parte de sua discografia, registrasse 12 pérolas do cancioneiro negro americano. É o que podemos ouvir neste Every Time I Feel The Spirit (Capitol – SW-1249), lançado em 1959.
Com a participação especial do Coro da “Primeira Igreja da Libertação”, regido por Gordon Jenkins, Nat interpreta com seu timbre peculiar as mesmas canções que escutava em sua infância. Quem não conhece, por exemplo, a vibrante Down by the riverside ? Aqui, ela aparece com o outro título - Ain't gonna study war no more. Destaco, ainda, a bela e pungente Nobody knows the trouble I've seen. Aliás, esta dicotomia (tristeza profunda - alegria extrema) é uma característica do Spiritual. Grande disco !
Ficha Técnica:
Faixas: Every time I feel the spirit / I want to be ready / Sweet hour of prayer / Ain't gonna study war no more / I found the answer / Standin' in the need of prayer / Oh, Mary, don't you weep / Go down, Moses / Nobody knows the trouble I've seen / In the sweet by and by / I could't hear nobody pray / Steal away
Nota estereofônica: O estéreo separa claramente a voz de Nat e destaca-a do coro. Nat não conserva o mesmo lugar no decurso das canções e escolhe sempre o ponto em que seus solos se fundem melhor com os acompanhamentos. As quatorze vozes do coro estão espalhadas, de lado a lado, enquanto os solistas se mantêm sempre na mesma posição. O órgão, bateria e outros instrumentos que foram ocasionalmente adicionados estão sempre à esquerda.
Produção: Lee Gillette
Prensagem brasileira:
Indústrias Elétricas e Musicais Fábrica Odeon S.A. - Rio de Janeiro - São Paulo - Porto Alegre
Gravado por Beto às 07:49 PM ::: Comente! [22]
:: abril 27, 2004 ::
CANÇÕES DE CORDIALIDADE E CANTO DE NATAL, Céu da Boca / Kuarup, 1979
É possível que este compacto tenha sido o primeiro lançamento da produtora Kuarup, de Mário de Aratanha, quando ainda não existia como um selo fonográfico. É uma raridade, pois traz os primeiros registros do grupo Céu da Boca – outros registros feitos na mesma época, em participação especial, são no LP independente de Mário Adnet & Alberto Rosenblit. Aliás, Alberto chegou a integrar o Céu da Boca, conforme créditos na contracapa deste compacto, brinde da empresa Adonis aos seus clientes, por ocasião do 20º aniversário de falecimento do compositor Villa Lobos. As seis Canções de Cordialidade e Canto de Natal têm letras do poeta Manuel Bandeira. Uma delas já faz parte da nossa memória, sendo entoada há anos, sem que eu soubesse que tinha uma autoria. Trata-se de Feliz Aniversário: “Saudamos o grande dia / em que hoje comemoras / seja a casa onde mora / a morada da alegria / o refúgio da ventura / Feliz Aniversário”. Vocês se lembram disso ?
Gravado por Beto às 09:08 AM ::: Comente! [23]
:: abril 18, 2004 ::
CLARISSE - EMI-Odeon, 31C-062.421.266 / 1985
Conheci o trabalho de Clarisse quando ela lançou um CD com as parcerias de Cristóvão Bastos e Aldir Blanc, pelo selo Alma. Há uns dois anos encontrei seu primeiro LP, pela EMI. O Clarisse, esse de capa vermelha, com seu nome em branco. Interessante esse projeto gráfico, despojado. Talvez tenha algo a ver com a personalidade dela, não sei. Não a conheço. O que sei é que se trata de um disco primoroso e Clarisse é seguramente das nossas melhores intérpretes. O LP Tem arranjos de Tavito, Flavio Venturini, Jota Moraes, Renato Ladeira, Cesar Camargo Mariano e Eduardo Souto Neto.
E o melhor de tudo é que tem três canções da Sueli Costa - um desses registros, em minha opinião, é a melhor gravação que alguém poderia fazer de Capricho, parceria com Abel Silva, composta há uns 20 anos. Linda. Destaco também a Canção de Acordar, do Flávio Venturini e Vitor Hugo (?). Há também uma composição daquele que viria a integrar o grupo Boca Livre, anos depois: Fernando Gama comparece com Mil Corações, parceria com Sérgio Natureza.
Descobri e não faz muito tempo que eu e Clarisse temos um grande amigo comum, o Marcelo Rocha. Vez por outra ele dá notícias da carreira dela, no blog Arte Musical.
Ficha Técnica Original do LP: Produtor Fonográfico: EMI-Odeon Fonográfica, Industrial e Eletrônica Ltda. Direção de Produção: Renato Corrêa / Produção Executiva: Claudio Rabello. Técnicos de gravação: Guilherme e Renato / Auxiliares de Estúdio: Rob e Geraldo / Corte: Osmar Furtado.
Gravado por Beto às 11:51 PM ::: Comente! [98]
:: abril 10, 2004 ::
INVOQUEI O VOCAL - Independente, 1987
Em meados dos anos 80 uma rapaziada muito afinada aparecia no cenário de Brasília, fazendo música da melhor qualidade, com arranjos sofisticados. Era o sexteto Invoquei o Vocal, grupo idealizado por Lincoln Andrade (primeiro da esquerda para a direita) e que deixou como “filho” somente este LP. Sob o comando de Lincoln, integravam o grupo: Maria de Barros, Livino Neto, Goia, Hortência Doyle e Ana Paula Barreto.
Com o aval de Tavinho Moura, que escreveu um belo texto (*) na contracapa, o “Invoquei” cantava de tudo. De Xangai (Pulo do Gato) a Noel Rosa (Conversa de Botequim). De Renato Vasconcelos, com aquela que ficou sendo uma espécie de marca registrada da música instrumental brasiliense, o “hino” Suíte Brasília I – peça sem letra, a Itamar Assumpção (Prezadíssimos Ouvintes). Claro, não podia faltar Tavinho Moura, com sua Noites do Sertão e seus conterrâneos Milton Nascimento e Túlio Mourão, em A Primeira Estrela, que contou com Túlio Mourão nos teclados. Além de Túlio, tocaram no disco Jorge Helder e Marco Pereira, em participações especiais. Marco fez, inclusive, o arranjo instrumental de Fala Palhaço (Flávio Faria).
A faixa que mais me toca – não me perguntem o porquê – é a Suíte Brasília I, do Renato Vasconcellos. Um tema instrumental, escrito originalmente pelo Renato para 4 vozes e adaptado por Lincoln, para a formação do Invoquei.
Além deste LP, há participações do grupo em um LP do trio de irmãos Clodo, Climério e Clésio, e em discos de Paulinho Pedra Azul e Tavinho Moura.
Sinto falta, em muitos grupos vocais, da questão da dinâmica, que é o que arrepia, é o que faz a gente se emocionar, como bem lembrou a grande Celia Vaz, num tributo ao Sidney Miller que assisti há dois anos no Rio. Isso o “Invoquei” tinha de sobra.
(*)
Invoquei o Real.
Entortei o Bocal.
Entornei o Goral.
Safenei o Banal.
Pequi na Clave de Sol
Igual ao Invoquei o Vocal
Raízes Brasiliensis
Vozes que flautam, tubam,
retumbam e violam.
Cantam tão bem
que até o Rei fica nu.
Seis Ases, Seis Coringas
Eêê Nóis...” (Tavinho Moura)
FICHA TÉCNICA DO LP:
INVOQUEI O VOCAL
Produtor Fonográfico: Invoquei o Vocal / Produção Executiva: Ana Paula Barreto e Invoquei o Vocal / Direção Musical: Lincoln Andrade / Técnico de Gravação: Denilson Campos / Edição e Mixagem: Denilson Campos / Corte e prensagem: Continental / Supervisão de Corte: Denilson Campos e Lincoln Andrade / Capa e encarte: Livino Neto / Fotos: Guilherme Malheiro / Gravado em PCM digital no Estúdio Master, Rio de Janeiro.
Gravado por Beto às 11:34 PM ::: Comente! [85]
:: fevereiro 29, 2004 ::
VIOLA DE BOLSO / EMI-Odeon - 31C-062.421.154
No texto sobre o disco “Cantares Brasileiros – A Modinha”, mencionei o nome de Luiz Cláudio, um ótimo intérprete - reduntante falar, e perguntava por onde ele andava. Em 1979 ele estava aqui, no VIOLA DE BOLSO.
Em 1972, lançara Monjolo, canção em parceria com Jesus Rocha, constante da trilha sonora de uma novela da TV Tupi – Jerônimo. A mesma canção volta a este LP, cuja faixa tema foi por ele composta, sobre versos de Drummond. O disco é econômico em instrumental, mas os músicos que o acompanham são fora de série, a começar pelos arranjadores Eduardo Souto Neto e Marcos de Castro (que já havia trabalhado nos primórdios de um Milton Nascimento Sambacana, em 1965). Estão também presentes: Gilson Peranzetta (teclados), Jamil Joanes (baixo), Tavito, Burnier e Marcos de Castro (violão e violas), João Cortez (percussão e ritmo), Danilo Caymmi e Jorginha (flautas).
Ouvi esse LP de olhos fechados, de uma só vez. O repertório traz todo um universo mineiro, e ao mesmo tempo brasileiro, por conta de Vital Farias (Era Casa Era Jardim), Lupcínio Rodrigues (Felicidade), Waltinho e Roberto Andrade, da Banda de Pau e Corda (Flor d’Água), Chico Buarque (Maninha), Ivor Lancelotti e Paulo Cesar Pinheiro (Toada Brasileira). A impressão que se tem é que se está percorrendo o interior das Geraes, na forma retratada por ele, em canção e em aquarela - Luiz Cláudio é um exímio paisagista. O encarte de Viola de Bolso traz alguns de seus desenhos e telas, como esta ao lado. Há notícias de que ele já gravava nos anos 50. Eu gostaria muito de conhecer esse material, em 78 rpm. Mas, afinal, por onde anda Luiz Cláudio ????
Gravado por Beto às 11:09 PM ::: Comente! [96]
:: fevereiro 10, 2004 ::
IRMÃOS CORAGEM - PHILIPS (765.119) - 1970
Em 1970, o “milagre econômico” enchia os olhos dos consumidores de norte a sul e a televisão começava a fazer parte do dia a dia do povo. A novela já aglutinava o brasileiro em volta da sala. Vizinhos curiosos se aglomeravam na janela dos mais afortunados, para ver Irmãos Coragem. Os discos de trilhas de novelas eram bem diferentes dos de hoje. A Som Livre estava pra nascer, como um selo distribuído pela Odeon. Até aí os discos de trilhas da Globo saíam pela PHILIPS. É o caso de IRMÃOS CORAGEM, trilha sonora da novela de Janete Clair. Arranjadores do porte de Dori Caymmi, Luiz Eça e Waltel Blanco comandavam tudo. A música título, da parceria Nonato Buzar - Paulinho Tapajós, até hoje é lembrada por muitos (Manhã despontando lá fora, manhã já é sol, já é hora, e os campos se abriram em flor....). A versão instrumental também ficou marcada, na interpretação da Banda das Cores Mágicas. Luiz Carlos Sá (antes do trio Sá, Rodrix e Guarabyra), cantava, de sua autoria, o tema de Jerônimo. Denise Emmer, filha da autora do folhetim, fazia sua estréia como compositora e intérprete, ao lado de Marcus Pitter (por onde anda ?). O violão de Dori não podia faltar, em Porto Seguro (Dori Caymmi). É uma trilha inesquecível. Se você não conhece, certamente vai achar estranho se eu disser que há uma versão curiosíssima da Bachiana n.º 05, do Villa Lobos, com um berimbau ao fundo, e Joyce nos vocais. O inusitado não para por aí; tem também Regina Duarte, com uma voz irreconhecível (até que ela dava conta do recado), numa canção de Paulinho Machado, intitulada Minhas Tardes de Sol, que a Beth Carvalho, na fase pré-samba, havia gravado pouco tempo antes. Os demais intérpretes são: Maysa, Tim Maia, Maria Creuza, Luiz Eça e Eustáquio Sena.
|
|